11.19.2010

Ridiculo.

Hoje abri uma caixa de recordações, estavam lá lembranças e mais lembranças. Pequenos detalhes de problemas gigantes na altura, que agora faria de tudo para trocá-los por estes que arranjei. Não sei, mas parece-me tão banal tudo o que senti em tempos. Tão ridiculo ao ponto de não entender o porquê do drama feito à volta de fases menos boas. Era tudo tão ridiculo. Eu já vesti calças com flores, a minha mãe fazia-me a palmeirinha, usava tenis com luzes, já fiz xixi nas calças, já levei recados na caderneta, já chorei por uma negativa, já bebi lagoa azul e fingi-me bebeda, já menti para ser fixe, já não quis tomar banho durante dias, já tive piolhos, já faltei a uma aula e senti que tinha feito a maior cena de sempre, já joguei gameboy e achava o máximo, já me levantei cedo para ver pókemon e Uma Aventura, já disse que ia ao cinema e fui para o jardim, já fingi fumar e estava com medo que me vissem,  já fiz tudo o que hoje acho ridiculo, e gosto do meu ridiculo, ao ponto de ainda hoje ser ridicula.
Do outro lado da caixa, recordava amigos, cartas de amor, brincadeiras, entre tantas outras coisas, e quando reparei, devo ter trocado os lados da caixa porque só vejo problemas em já não ter nem metade daqueles que prometi, vezes sem conta, não desaparecer.  E a mim marcaram-me grandes momentos, grandes pessoas, e os grandes serão sempre grandes. No meio da caixa, não estava nada, era a parte vazia que irei preencher, a parte melhor sem dúvida. Está no meio a virtude de todos os momentos que ainda vou passar, das pessoas que irei conhecer, e vou juntar tudo num só,com as que vou perder também. Não me assusta perder se for para ganhar. O meu sempre de hoje é muito mais sincero, porque já acredito nele, e se tiver que ser, tem que ser.
O lado melhor de tudo isto é que não quero largar nenhuma recordação, e quero contar tudo isto um dia mais tarde, sentada com uma ridicula de olhos verdes e cabelo liso, que me irá gozar, como eu já o fiz. Ainda me lembro de há tempos atrás gozar com os penteados curtos, e as calças no umbigo, a moda de hoje.
Talvez o melhor seja mesmo rasgar tudo o que passou, porque o que marca não é numa caixa que fica...

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