11.03.2010

Herança

Um dia vou chegar e dizer-te tudo o que penso, e portanto, penso que o dia chegou:
Ontem recorri a ti, mais uma vez, para te contar um segredo, o teu ouvido parecia escutar-me tão bem, talvez melhor que as paredes do meu quarto. Depois, sentei-me na tua sala, aquela onde me ensinas-te, talvez tudo. A tua preocupação revelou-se nos teus olhos, foi então que reparei que eram tal e qual os meus, depois, ao sentires o meu desagrado, sorris-te, brincas-te com a situação que me assustava, e os teus olhos fecharam simultâneamente, engraçado(?), fazes-me lembrar alguém. Por fim, abraçaste-me e decidis-te esquecer o assunto, fingir que não era importante, eu percebi, querias-me confortar. Passado pouco tempo, mexeste-me no cabelo e falaste-me de como era idêntico ao teu quando atingias esta idade. E aproveitas-te para me contar o quando gostavas de me pentear em bebé, e como cuidavas de mim. De repente, caiu-me aquela pulseira, que me tinhas emprestado há dias, e as nossas palavras soltam-se, da mesma maneira, com a mesma pronuncia. Ao apanhá-la, reparas-te que trazia as tuas botas novas calçadas, e como as coisas são, já somos o mesmo numero. Deste mero encontro concluo que reparo em ti como se me visse num espelho, que nos diferencia apenas em pequenos grandes aspectos. Mas quem me dera, ser tão semelhante, para que não houvesse quaisquer duvidas que quero ser como tu. Sim, quero ter essa força inacreditável, quero ter a tua capacidade de resolução, quero ter a tua calma e a tua frieza. E não, não me incomodaria se, por acaso, os teus defeitos surgissem também.

O mais interessante de tudo isto, é que no meu segredo, revelei apenas o meu medo de te perder, quando no fim, me apercebo, que para ti, o teu papel está terminado, e já fizeste o que tem que ser feito - sou como tu.

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