Houve alturas em que desejei conhecer e explorar tudo o que existia na minha vida. Criança inocente que era tentei infiltrar-me e conhecer este mundo tão mau que se apodera de tudo e todos. Tudo chateado e de mal com a vida. Era impensável pensar assim naquela altura. Acordava feliz e adormecia feliz. Hoje não me apetece acordar, muito menos adormecer. Adorava ligar a televisão e fazer zapping, ouvir tudo, informar-me. Tenho medo de o fazer nos dias de hoje. Como sei que a próxima casa a ser assaltada não será a minha? Como vou ouvir que são os meus pais que ficaram no desemprego? Que uma amiga morreu em mais um festival, acidente de carro? É isto os dias de hoje. 'Na minha altura isto não era assim', os meus pais que tanto se esforçaram durante dez ou quinze anos para me impingirem princípios de uma boa cidadã estão eles próprias a tomar consciência que talvez isso não seja assim tão correcto. Roubar faz parte do dia-a-dia. Não ajudar o próximo é o próximo passo. Não ter nada é moda. (Queridos pais, descanso-vos já que continuo a mesma pessoa, mas a realidade é que não é a isto que assisto!). Reparo também que até este blog está mais pobre, as ideias sumiram com a disposição de fazer algo por nós mesmos. Quando não podia voltar, revolta-me todas as decisões, odiava o povo todo por terem colocado alguém naquele lugar. Agora? Pior que isso, odeio-me a mim e continuo a odiar o povo todo, somos todos culpados sem culpa nenhuma. Votar é um direito mas respeitar quem vota também julgo que o é. Nunca visto antes. Os contos de fadas acabaram, as princesas morreram e os príncipes são mesmo sapos. Porque é que ficaram os ladrões, os lobos maus e as bruxas? É isto que as crianças de hoje devem pensar, não sei, digo eu.
Estou farta. No ciclo ensinaram-me a ter orgulho na minha pátria, adorava as minhas aulas de História por isso mesmo. 'Portugal tem um povo nobre, que descobriu mundos e fundos'. Se me dissessem isso hoje haveria bastantes debates em contexto de sala de aula. Não acreditaria em povo tão lutador como outrora foi. Mas... analisando bem, 'mudam-se os tempos, mudam-se as vontades' e a verdade é que como parte do povo português eu também não tenho vontade para nada.
5.24.2012
1.30.2012
Voltarei em breve
Penso que hoje tenha encontrado o sitio que desejei conhecer a vida inteira, é ali, tenho a certeza que é ali, vou passar , passear, pensar, nadar, conversar, chorar e tantos outros verbos acabados em -ar. Há muito tempo que não sentia a paz de espírito que hoje senti, o cheiro harmonioso, a simplicidade do sitio. Sentei-me e fiquei apenas ali, a olhar, como se tivesse entrado num mundo à parte, só meu onde julguei todos os meus últimos actos falhados, onde olhei para o meu interior e não o reconheci. Não sei se tenha que lá voltar para me reencontrar, ou talvez aquele nem seja o sitio certo para o fazer, mas ao menos tive finalmente a noção que me perdi, que entre perdas de controlo, discussões e preocupações com os meus, me deixei para trás e deduzo não conseguir regressar. Talvez este seja o meu novo eu, e odeio-o por tudo o que me tem proporcionado, é imaturo e irresponsável, e só hoje diante daquele sitio lindo entendi isso. Julguei a minha vida como se pudesse ter outra em vez de me agarrar a ela e partilhá-la com outras vidas que queiram viver comigo. Talvez o peso da idade também comece a pesar na consciência, e hoje, senti-me, falei comigo, interpretei-me, o que já não fazia a algum tempo. Olhar para aquele meu paraíso, tão lindo e tão simples, lembrou-me dos meus velhos tempos, iguais, lindos e simples. Aquela agua que delicadamente se mexia e me deixava tão confortável, coloco a possibilidade de ter sido ela a reflectir tudo aquilo que não vi, tudo aquilo que me fez cegar e tornar-me naquilo que não quero ser.
Sentei-me junto das pedras que enfeitavam aquele espaço, e não quis mais descobrir como tenho coleccionado estupidez nesta cabeça, por isso levantei-me, e fui-me embora...
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