5.24.2012

Chama-se criticar

Houve alturas em que desejei conhecer e explorar tudo o que existia na minha vida. Criança inocente que era tentei infiltrar-me e conhecer este mundo tão mau que se apodera de tudo e todos. Tudo chateado e de mal com a vida. Era impensável pensar assim naquela altura. Acordava feliz e adormecia feliz. Hoje não me apetece acordar, muito menos adormecer. Adorava ligar a televisão e fazer zapping, ouvir tudo, informar-me. Tenho medo de o fazer nos dias de hoje. Como sei que a próxima casa a ser assaltada não será a minha? Como vou ouvir que são os meus pais que ficaram no desemprego? Que uma amiga morreu em mais um festival, acidente de carro? É isto os dias de hoje. 'Na minha altura isto não era assim', os meus pais que tanto se esforçaram durante dez ou quinze anos para me impingirem princípios de uma boa cidadã estão eles próprias a tomar consciência que talvez isso não seja assim tão correcto. Roubar faz parte do dia-a-dia. Não ajudar o próximo é o próximo passo. Não ter nada é moda. (Queridos pais, descanso-vos já que continuo a mesma pessoa, mas a realidade é que não é a isto que assisto!). Reparo também que até este blog está mais pobre, as ideias sumiram com a disposição de fazer algo por nós mesmos. Quando não podia voltar, revolta-me todas as decisões, odiava o povo todo por terem colocado alguém naquele lugar. Agora? Pior que isso, odeio-me a mim e continuo a odiar o povo todo, somos todos culpados sem culpa nenhuma. Votar é um direito mas respeitar quem vota também julgo que o é. Nunca visto antes. Os contos de fadas acabaram, as princesas morreram e os príncipes são mesmo sapos. Porque é que ficaram os ladrões, os lobos maus e as bruxas? É isto que as crianças de hoje devem pensar, não sei, digo eu.
Estou farta. No ciclo ensinaram-me a ter orgulho na minha pátria, adorava as minhas aulas de História por isso mesmo. 'Portugal tem um povo nobre, que descobriu mundos e fundos'. Se me dissessem isso hoje haveria bastantes debates em contexto de sala de aula. Não acreditaria em povo tão lutador como outrora foi. Mas... analisando bem, 'mudam-se os tempos, mudam-se as vontades' e a verdade é que como parte do povo português eu também não tenho vontade para nada.

1.30.2012

Voltarei em breve


Penso que hoje tenha encontrado o sitio que desejei conhecer a vida inteira, é ali, tenho a certeza que é ali, vou passar , passear, pensar, nadar, conversar, chorar e tantos outros verbos acabados em -ar. Há muito tempo que não sentia a paz de espírito que hoje senti, o cheiro harmonioso, a simplicidade do sitio. Sentei-me e fiquei apenas ali, a olhar, como se tivesse entrado num mundo à parte, só meu onde julguei todos os meus últimos actos falhados, onde olhei para o meu interior e não o reconheci. Não sei se tenha que lá voltar para me reencontrar, ou talvez aquele nem seja o sitio certo para o fazer, mas ao menos tive finalmente a noção que me perdi, que entre perdas de controlo, discussões e preocupações com os meus, me deixei para trás e deduzo não conseguir regressar. Talvez este seja o meu novo eu, e odeio-o por tudo o que me tem proporcionado, é imaturo e irresponsável, e só hoje diante daquele sitio lindo entendi isso. Julguei a minha vida como se pudesse ter outra em vez de me agarrar a ela e partilhá-la com outras vidas que queiram viver comigo. Talvez o peso da idade também comece a pesar na consciência, e hoje, senti-me, falei comigo, interpretei-me, o que já não fazia a algum tempo. Olhar para aquele meu paraíso, tão lindo e tão simples, lembrou-me dos meus velhos tempos, iguais, lindos e simples. Aquela agua que delicadamente se mexia e me deixava tão confortável, coloco a possibilidade de ter sido ela a reflectir tudo aquilo que não vi, tudo aquilo que me fez cegar e tornar-me naquilo que não quero ser.


Sentei-me junto das pedras que enfeitavam aquele espaço, e não quis mais descobrir como tenho coleccionado estupidez nesta cabeça, por isso levantei-me, e fui-me embora...

9.23.2011

''Para se estar junto, não é preciso estar por perto''


Há momentos pelos quais passamos que nunca se iremos esquecer, outros que por mais que tentemos não apagam. Eu gostava de ficar neste momento, assim, aqui, para sempre.

Tenho medo, medo que este momento seja dos últimos, medo de estar em contagem decrescente para algo que se vai destruir. Tantos anos, tanta coisa, tanto que me parece tão pouco quando estou a dias de poder vir a esquecer tudo. É difícil retratar apenas por breves instantes tudo o que aconteceu, tudo o que fizemos, mas é tão fácil relembrar e sorrir por um nós,. Não consigo construir duas frases para falar deste assunto, perturba-me de verdade. É algo em que nunca tinha pensado realmente bem, mas que hoje me fez desesperar. Parece que estou a ficar para trás, quando na verdade o problema é que estou um passo à frente. Todos me contam o que se passou, como correu, tristes e  pouco entusiasmados, mas ... quem me dera! Gostaria imenso de poder estar lá com todos de novo. Eu estou no virar de uma pagina que me assusta, sei que é o certo, mas não digo com certeza que o é. Não tenho a certeza se a distancia vence sempre porque já me derrotou uma vez, não com laços tão fortes. Mas até que ponto somos realmente fortes? Sempre ouvi dizer que as amizades têm que se preservar, mas, como é que isso se faz mesmo?

Não tenho como voltar atrás, não tenho outra saída, nem quero ter. Sei que isto pode ser só medo, mas ao menos assumo-o junto das minhas folhas, fartas de me ouvir.

Por outro lado, o desconhecido seduz-me, e faz-me bem. Mudar tudo isto incentiva-me e faz me querer que vou gostar. Atrai-me a multidão, o novo conhecimento, o facto de estar a percorrer finalmente um caminho só meu, escolhido e delineado por mim. Quero percorrê-lo e ser a responsável por isso, quero cair e culpar-me por todos os erros, apontar o dedo somente a mim, porque foi isto que eu escolhi.... (Estas são as reticências que um dia vão desaparecer, porque quero todos os dias, acabar de contar a minha história, para quem ainda a quiser ouvir, que longe ou perto, terá um ponto final como todas as outras.)




5.31.2011

Hoje preciso que me digas o quanto te devo, calcula rapidamente o preço desta felicidade porque não aguento muito mais sem uma retribuição. Ou então explica-me apenas como. Como é que consegues sem pedir nada em troca? Como se retribui algo assim? Como?! Por vezes é difícil para mim encarar-te sabendo que me deste tanto, do pouco, que te pedi.

A luz apagasse, os olhos querem adormecer e sonhar contigo mais uma vez, as mãos tremulas incansaveis percorrem esta folha de papel na esperança de encontrar aqui significado algum que possa explicar pelo menos metade do que o coração pede. O meu relógio aponta 3h43m, e a mente começa também a dar sinais de cansaço, a falta de vocabulario é o alerta do seu pré-esgotamento. Mas como te explicaria eu que quis baixar os braços enquanto te tentei homenagear se tu nunca o fizeste ?

Quando me encontro com os seres mais estranhos e imaginários, falando e segredando apenas comigo, tento pensar o quanto tu deverás gostar de mim. Saber que há alguém, no meio de tantos 'alguéns' , que nos ame infinitamente, é algo mágico que nos conforta e nos esperança de um dia amar alguém assim também. Mais que isso é saber reflectir tantas vezes sobre o mesmo assunto e o sentimento ser sempre o mesmo, unico e inigualável  Comparo-te a algo  inalcansavel mas que eu tenho bem perto de mim, o que te torna qualquer coisa de precioso, que comigo é inquebrável, que sem ti não tinha valor. A mágoa só chega na hora em que penso na partida, que tenho de encarar algum dia. Perco-me a procurar tentativas de um sempre desesperado. Chego à conclusão que o sempre é definido por nós, e tu estarás no sempre que prometemos ficar. Ensina-me apenas, antes do 'até já', a ser como tu.

Acredito que nem sempre seja facil mas vejo em ti o ser mais forte e corajoso, e já que estamos todos nós intitulados, tu serás sempre o meu titulo preferido.

3.18.2011

Já não sinto (...)

Sinto a tua falta e nem consigo perceber porquê. Sinto que podias mudar a minha vida , mas a distância de grupos distintos, de faltas de tempo, de intervalos perdidos a pensar numa maneira de te ver com pessoas que parecem não te dizer nada. Sinto que se não me serves, já não és tu. Sinto que podias saber tudo da minha vida e quando me encontro no teu olhar não sou capaz de te dizer nada. Sinto que te amo, mas que esse amor se perde a cada instante que não te vejo. Sinto a necessidade de te pertencer por completo e nunca conseguir chegar onde precisas, onde muitos chegam. Sinto-me a ocupar um lugar que tantos ocupam, quando quero ter um lugar de destaque. Sinto que te divides, mas não justamente. Sinto que me mentes, como eu menti toda a minha vida. Sinto que daria a minha vida por ti, mas tu és praticamente metade dela. Sinto a tua falta, para não dizer saudades. Sinto que te podia dar um mundo inteiro de tudo o que gostas, e tu não queres nem metade. Sinto que podia partilhar contigo cada letra deste texto a sentir coisas boas, mas não as sinto. Sinto que te esforças num inicio ambicioso, que acaba em, realmente, nada. Sinto estas palavras duras, que mudaria para expressões tão diferentes. Sinto que, provavelmente, exijo demais...

Sinto que não sentes nada, porque se o sentisses, davas-me mais, do pouco, que me dás.